Catita, toda faceira,
aprontou-se para a feira.
Escolheu seu vestido de bolas,
tamancos, sombrinha e sacola,
sem esquecer as pulseiras
e o perfume de roseira,
o cabelo bem frisado
compondo belo penteado.
—–
Na primeira das barracas
queria comprar batatas,
mas tropeçou numa esteira
e quase rolou a ladeira,
não fosse ter se agarrado
no batateiro assustado:
-Ai ! – Moça, tome cuidado!
—–
Vendo-se assim segurado,
quase cai o pobre coitado,
com pressa agarra a balança,
sobre as batatas avança
vai e vem, mal se equilibra
com toda aquela barriga
e lá se vão todas elas
não mais seu destino as panelas!
—–
Pela rua vão rolando
logo todas se espalhando:
-Ai! -Meu Jesus, não permita!
-Olhe o menino com a pipa!
Justo no meio da feira,
distrai-se com tal brincadeira,
nem percebe o pobre petiz
até nas batatas bater o nariz.
—–
Voa a pipa tal qual lança,
mira bem e logo alcança
a boa senhora alemã
lá da banca de maçã.
Sem nada ver ela grita:
-Acudam-me! As mãos agita,
qual o que, esperança vã,
vai-se a última maçã.
—–
A pobre da quitandeira
cai na maior choradeira,
abraça o primeiro à vista,
justo ao lado o Malaquias,
vendedor de melancias,
com Pipo, fiel companheiro
que o salva de tal conquista.
—–
E vem mais lamentação,
pois na esquiva pisa o cão
e com toda a força bruta
lança longe a maior fruta
tal qual bala de canhão.
É mais uma no arrastão…
Atrás dela corre o Pipo
-Quer brincar? Foge do pito?
—–
Dispara o seu Malaquias,
quer de volta a melancia.
A boa senhora alemã
para o choro, agora vilã.
Será ela uma guerreira,
pois da pipa faz bandeira,
bufa e ruge, quer vingança
persegue a pobre criança!
—–
Mas vê se mamãe vai deixar
o seu garotinho apanhar!
Na santa paz faz a feira,
preparando-lhe a lancheira.
De repente um desatino
cai sobre o pobre menino!
Agora é salvar o pimpão,
vão ser oito na procissão.
—–
Bem na esquina da ladeira
trabalhava a pasteleira
socando com força a massa
sem achar a menor graça
vendo passar banca adentro
como fosse um pé de vento
batata, maçã, melancia
e um cachorro que gania.
—–
Logo atrás o Malaquias
já nem mais correr podia.
Em busca de proteção
vai o guri sob o balcão,
mas da moça puxa o avental
sem querer lhe fazer mal,
ela gira e que desgraça,
cai bem na bacia de massa!
—–
-Já é demais, isso não,
perdeu-se a massa do pão?!
-Se és um menino sapeca
de castigo leva meleca!
-Bem feito! Ri a vilã à beça,
e leva massa na testa!
-Meu filho! -Mamãe não aguenta!
É mais uma a ficar grudenta!
—–
PRIIIII!!!! Afinal chega o guarda
e não quer sujar a farda!
Solta bem alto um rojão
pra acabar com a confusão.
Quer pôr ordem logo à feira
pois viu uma moça faceira
e com voz forte comanda:
-Cada um já na sua banca!
—–
Catita ajeita o penteado,
da saia alisa a bainha,
abre com graça a sombrinha,
agita vaidosa as pulseiras,
esquece sacola e carteira,
nem quer mais saber de feira,
na calma desce a ladeira,
braço dado com o namorado!
—–
Fim