Em Tamanduateí tinha um tamanduá bem grande, tão grande que ganhou fama como o gigante-papa-formigas.
Ele vivia solitário, sempre andando de lá para cá, de certo à procura das tais.
Um dia encontrou uma tamanduá, não tão grande como ele e achou que seria bom cortejá-la.
Trololó, trolelé, trolalá, os dois logo se entenderam.
Passou um tempo e em Tamanduateí tinha três tamanduás.
O filhote era pequenininho e ficava agarrado na costa da mãe.
A família continuava a passear de lá para cá, mas um dia papai foi para lá e mamãe ficou por cá, tamanduazinho sempre agarrado com ela.
O tempo foi passando, um mês, mais um mês e ele nada de dar sinal de sair dali.
Um dia, indo acolá, mamãe encontrou a preguiça.
Ela estava nadando no rio com o filhote e pensou de si para consigo:
– Sei muito bem o que é carregar filho na costa!
Querendo ajudar, falou:
– Tamanduá! Que tamanho você está! Venha também para cá!
Mas tamanduazinho não quis saber, nem mesmo respondeu, só pensou:
– Aqui está tão quentinho!
E se aninhou mais no pelo macio da mamãe.
Ela tratou de se despedir e seguir mais para lá.
O tempo passou outra vez, um mês e outro mês…
Tamanduazinho seguia agarrado na costa da mãe.
Um dia encontraram a gambá e sua penca de gambazinhos.
Eles estavam cavando buracos e brincando de esconde-esconde no meio do mato.
A gambá pensou de si para consigo:
– Ainda bem que já passei por isso e com tantos gambazinhos na costa!
Querendo ajudar ela chamou:
– Tamanduá, que tamanho você está! Venha também para cá!
Mas nada de tamanduazinho se animar:
– Aqui está tão limpinho!
Ele achou bem melhor brincar de esconde-esconde debaixo do pelo macio da mamãe.
Ela tratou de se despedir e seguir ainda mais para lá.
O tempo sempre passando, um mês, outro mês…
Tamanduazinho ainda agarrado na mamãe.
Um dia encontraram o mico-leão com seus dois filhotes.
A mãe deles não estava por perto e papai amassava frutinhas para eles comerem.
Educado, ele ofereceu:
– Tamanduá, tamanduá, vem cá!
Mas tamanduazinho queria frutinhas?
Franziu o nariz desdenhando, a boca cheia d’água e a barriga roncando de vontade do leitinho espumoso da mamãe.
De modo que ela mais uma vez tratou de seguir adiante.
E o tempo passou, um mês, outro mês…
Se você se deu ao trabalho de contar, deve ter percebido que muitos meses já tinham passado desde que o filhote do tamanduá gigante era bem pequenininho.
Perto de fazer um ano, ele ainda não queria deixar o abrigo fofinho na costa da mãe.
Até que um dia aconteceu que ela encontrou um formigueiro de saúva içá.
Não sei se você sabe, a içá é uma iguaria não só para os tamanduás, até tem gente que gosta muito.
Mamãe falou animada:
– Tamanduazinho, vem cá!
E não é que desta vez ele ficou curioso?
Ficou espiando lá de cima o que mamãe fazia.
Ela se regalava recolhendo içás com sua língua grudenta.
– Hummm…. Que gostoso!
Tamanduazinho resolveu descer e experimentar.
E não é que ele achou que era mesmo gostoso!
Também ficou surpreso, pois em pé já estava quase do tamanho da mamãe!
Foi assim que finalmente, deixou de ficar agarrado com ela.
Depois disso ainda continuaram a passear juntos de lá para cá.
Mas um dia mamãe foi para lá, quem sabe com saudades do tamanduazão e tamanduazinho, que também já era quase daquele tamanho, ficou por cá.
Por um tempo ficou solitário até que aconteceu de encontrar uma tamanduá, não tão grande como ele e achou que seria bom cortejá-la.
O fim da história você já sabe, trololó, trolelé, trolalá, os dois logo se entenderam…
Então agora me diga:
– Em Tamanduateí tem quantos tamanduás?
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