As férias de Fabrício
Fabrício Felipe Fonseca foi visitar seus avós, Felisbino e Filomena, na Fazenda Vinhedo Feliz, em fevereiro, durante as férias de verão.
Foi com Felício, seu amigo e vizinho, com fama de muito levado.
A fazenda tinha fama pelo vinho de uvas finas feito pelo vovô Felisbino.
Ele vendia o vinho na Feira das Vinícolas.
Fabrício e Felício preferiam vadiar na fazenda a fazer a feira com vovô.
Descobriram que além do pasto das vacas havia um matagal e lá dentro uma fonte no fundo de um fosso.
Vovó falou para não voltarem lá, avisando que podiam avistar um fantasma que vivia no fosso.
Fabrício e Felício ficaram curiosos e aflitos para ver de fato o famoso fantasma da fonte.
Mas vovó sempre fazia os dois ficarem atarefados.
A toda hora ela falava com sua voz fininha, mas firme:
– Fabrício! – Vá ver a uva com vovô!
– Fabrício! – Vá dar alfafa à vaca!
– Fabrício! – Vá dar aveia à ovelha!
Mas eram as férias de verão…
E Fabrício e Felício só viviam pensando em aventuras.
Certa vez vovó ficou distraída com visitas na varanda.
Vovô fazia farinha para seu virado de feijão e farofa de ovo.
Fabrício e Felício aproveitaram para fugir, levando umas varas e um velho vestido vermelho da vovó.
– Agora vamos fazer o fantasma voar do fundo daquele fosso, ora se vamos!
E como um foguete vararam a floresta ( na verdade era só uma matinha ) para ver a fonte.
A ideia era inventar um fantoche para enfrentar o fantasma.
– Que façanha! – falou Felício.
– Vai ficar fabuloso – falou Fabrício. – O fantasma vai ficar com faniquitos!
Fabricaram o fedelho com os feixes de vime, fizeram uma face enrugada com fruta-do-conde, a fronte com folhas.
Vestiram com o vestido vermelho e virou uma verdadeira feiticeira, que feiura!
– Vai ser fatal para o fantasma!
Fincaram a figura atrás de uma fogueira, já festejando.
Então foram vigiar pelo vão de uma fileira de figueiras.
E com voz fanha falseavam a voz da velhaca:
Uuuuuu….. Uuuuuu….
De repente, um vento frio começou a vergar a tal feiticeira.
O vento ficava cada vez mais mais forte, levantava o vestido vermelho, parecia cantar vitória e virar um furacão!
A fogueira soltou faíscas e fagulhas foram para o fosso, parecendo um fogo-fátuo.
O ar ficou fumarento.
E os dois:
– Valei-nos!
– Estamos ferrados!
– É feitiço do defunto!
– Vamos virar as vítimas fatais?
– Acho que vou vomitar!
– Só o vigário vai nos salvar!
E para piorar, veio voando um vespeiro e foram as vespas a zoar:
Vuuuu … Vuuuu … Vuuuu….
Que pavor! Velozes, trataram de apagar a fogueira antes que tudo virasse um fogaréu e fugiram de volta à fazenda.
Nessa hora, melhor ficar com os familiares.
Que vexame!
Chegaram na varanda sem fôlego, mas a vovó nem notou:
– Venham meninos! Venham ver a cufa de fubá que eu fiz.
Enfim, foi mesmo uma aventura, ou foi só folia?
Mas Fabrício e Felício juraram vingança.
– Ainda não fomos vencidos! Não fica assim!
– Aquele fantasma vai ver, as férias não chegaram ao fim!
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Escrevi esse texto para uma criança com dislexia, com predominância de dificuldades auditivas, como de atenção e memória auditiva, percepção e discriminação de sons, como no caso específico de trocas entre entre /f/ e /v/.
Sua leitura lenta e vacilante estava se tornando uma barreira e a escola, um sofrimento
Crianças com distúrbios de aprendizagem precisam de ensino especial, mas os pais podem ajudar muito através do hábito da leitura compartilhada. A leitura em voz alta é uma forma de transformar um obstáculo em oportunidade de enfrentamento e progresso. Mas ela é sobretudo uma troca afetiva, que pode fazer do aprendizado uma fonte de entretenimento e diversão.
A dislexia severa persiste mesmo na idade adulta. Então, não se deve menosprezar que toda criança precisa de ajuda para reconhecer suas dificuldades, mas também outras habilidades que irão permitir a construção da sua autoestima.
PARABÉNS pela criatividade. Li com grande interesse e gostei muito. Por favor continue postando estes contos instrutivosve divertidos.
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Excelente texto! Transformar a dificuldade em novo aprendizado de forma lúdica é nosso maior desafio! Vou utilizar no consultório!
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